18 toneladas de óleo foram removidas de Baixio, no Litoral Norte

18 toneladas de óleo foram removidas de Baixio, no Litoral Norte

Em uma semana, o distrito de Baixio, no município baiano de Esplanada, recebeu uma “avalanche” de óleo. De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Álvaro Pimenta, 18 toneladas do material tóxico foram removidas da região nos últimos oito dias. O local é tido como novo expoente do turismo no Litoral Norte da Bahia e seus 18 km de praias são limpas diariamente por agentes públicos e voluntários, mas já causou estragos.

Nesta quarta-feira (16), o CORREIO esteve em Baixio e, por lá, o lamaçal contaminante chegou com força na localidade da Barra, no encontro do rio com o mar. O mangue da região também já foi atingido e os prejuízos já foram sentidos na conta dos marisqueiros e empresários. De acordo com o pescador Ricardo Lobato, 36 anos, quase todos os ocupantes da região vivem da pesca ou do turismo. Nos últimos três dias, os marisqueiros não conseguiram trabalhar.

Pescadora de catado de aratu, Nadjane Santos está sem poder viver do que lhe sustentava. “Teve o alerta contra a pesca e a gente não sabe quais reações químicas peixes ou mariscos contaminados podem causar. Ninguém chegou ainda para explicar para nós”, contou. Sem ter o que fazer, o que lhe restou foi se voluntariar para remover o óleo. “O jeito foi parar a pesca e ajudar na limpeza para no futuro a gente ter um marisco saudável”, acrescentou.

Conforme o secretário de Meio Ambiente, cerca de 60 pessoas, entre voluntários e equipe da administração, têm se reunido para fazer a retirada do óleo das praias e pedras. Para minimizar os impactos, a prefeitura municipal solicitou cerca de R$ 300 mil ao Governo Estadual para iniciar as ações de contenção do óleo. Se concedido, o recurso deverá ser utilizado para instalação da barreira de contenção, aluguel de equipamentos, lanchas e contratação de pessoal no período de 30 dias.

“A situação que mais nos preocupa é a área de mangue. Uma barreira de contenção nos ajudaria muito a evitar que o óleo entrasse e contaminasse esse estuário”, disse Álvaro Pimenta. Ainda segundo ele, não houve fauna morta encontrada em Baixio. À reportagem, pescadores locais relataram que encontraram animais sujos de óleo, como lagostas e caranguejos.

Há 27 anos administrando uma pousada na Rua Grande, o empresário Ivamar Silva está indignado. “Dá para sentir que o baque foi grande, porque tem muitos passeios retornando e reservas canceladas. Tivemos impacto no banho de mar, na alimentação, tudo caiu assustadoramente”, lamenta. A esperança dos empresários é este final de semana, quando é realizada a tradicional festa do padroeiro da cidade, São Francisco de Assis, que este ano contará com seis atrações musicais.

Presente em Baixio nesta quarta, o secretário estadual de Meio Ambiente, João Carlos Oliveira, informou que solicitou uma reunião da pasta com a Secretaria de Agricultura e Pesca através da Bahia Pesca para estudar quais ações serão tomadas para minimizar o impacto para as pessoas que vivem de produtos do rio e do mar.

“Estamos buscando uma ação para preparar essas pessoas para que possam reunir documentos e reivindicar os seus direitos junto ao Ministério do Meio Ambiente”, disse Oliveira, que também estuda um benefício similar ao seguro-defeso. O gestor ainda aguarda a liberação de recursos federais para a Bahia através do decreto de situação de emergência, assinado nesta segunda (14).

Em coletiva de imprensa neste dia, os órgãos estaduais divulgaram que 35 toneladas de óleo já tinham sido coletadas em praias baianas pelos municípios, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros. Ao CORREIO, a Prefeitura de Mata de São João, onde fica Praia do Forte, informou que de lá foram retiradas 15 toneladas. Somado com o quantitativo removido em Baixio, totalizam 33 toneladas, sem considerar outras localidades do Litoral Norte e de Salvador e Região Metropolitana. As divergências entre os números não foram esclarecidas.

Subaúma
Enquanto em Baixio a limpeza vem sendo realizada, em Subaúma, distrito da cidade baiana de Entre Rios, nada ainda ainda foi feito, segundo denúncias de moradores feitas ao CORREIO. Os órgãos oficiais que estão cuidando do caso até fizeram visitas, mas a remoção não foi iniciada e o petróleo cru já atingiu o manguezal. A Associação de Moradores do local fez um mutirão para coleta, mas ainda não teve contato com os órgãos e não sabem como destinar o material recolhido.

Morador e presidente da Associação de Surf de Subaúma, Inácio Tavares aponta chegada do óleo no manguezal | Foto do leitor

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