A Solidão das mulheres fortes- Simone Cafeseiro explica

A Solidão das mulheres fortes- Simone Cafeseiro explica

Passando os olhos nas redes sociais, eis que esbarro com essa frase em uma página. A imagem dizia: A solidão das mulheres fortes, precisamos falar sobre isso. Li a frase, e fiquei alguns segundos pensando sobre ela. Automaticamente, fui me lembrando das inúmeras mulheres fortes que conheço, que fazem parte da minha família, da minha vida, da minha rotina. E pensando um pouco sobre elas, me dei conta, que por trás da imagem de uma mulher forte certamente habita algum nível de solidão.

Quando pensamos sobre mulheres fortes, consideramos as mulheres que sobrevivem as dificuldades impostas à sua vida. Pensamos nas mulheres que encaram de frente os problemas que surgem, e não apenas os seus. Aquela mulher, que na hora que a coisa aperta, todo mundo lembra, todo mundo chama. Aquela mulher que não tem capa de heroína, mas cumpre a função de uma, pois ocupa esse lugar de fortaleza no discurso do outro, e corresponde as expectativas que são lançadas sobre ela.

E então, eu me indaguei: Onde aparece a fraqueza dessa mulher? E percebi que todas elas, ou quase todas, raramente se mostram frágeis, pois estão ocupadas demais movimentando a sua força, e dizendo Sim’s para outros, ainda que para si mesmas precisem dizer; Não. E então ela ocupa um lugar onde o próprio desejo é negado, reprimido. Um lugar onde a sua fragilidade não encontra espaço para aparecer, pois o medo e a culpa não deixam essa mulher admitir que mulheres fortes também possuem suas vulnerabilidades, e que está tudo bem que ela não seja forte o tempo inteiro.

É preciso falar sobre a solidão que acompanha essas mulheres. Mas sobretudo, é preciso escutar o que essas mulheres têm a dizer sobre esse lugar de solidão. É preciso deixar que essas mulheres falem sobre como se sentem nesse lugar, seja qual for o contexto em que essa mulher vive.

A mãe solteira que precisa trabalhar duro para pagar as contas, e conseguir tempo para educar os filhos. A Vó que cria todos os netos, e só por está viva representa o equilíbrio da família. A jovem que trabalha o dia inteiro, porque precisa pagar a faculdade que faz a noite. A mulher que abriu mão de uma vida de experiências, para cuidar de familiares que adoeceram. A mulher que enfrenta o preconceito social de escolher uma profissão que é vista como masculina. A mulher que mesmo sendo excelente no que faz, ganha menos que o homem pelo simples fato de ser mulher, e ainda assim, continua sendo excelente no que faz.

Eu poderia citar inúmeros contextos onde essas mulheres aparecem, mas é preciso deixar que essas mulheres falem por si mesmas. É preciso deixar que essas mulheres saibam que elas podem reavaliar esse lugar que ocupam, e pensar sobre esse lugar, e se autorizarem a sair desse lugar, se assim elas quiserem. E se mostrarem frágeis quando se sentirem, mas não menos seguras de si. E dizerem não, quando for preciso, e pedirem ajuda quando não suportarem. E que elas saibam que fazer tudo isso, não diminuirá em nada a grandeza da sua força.

Simone Souza Cafeseiro- Psicóloga clinica. CRP: 03/19407

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