Cyberbullying: A violência por trás das telas – Simone Cafeseiro explica

Cyberbullying: A violência por trás das telas – Simone Cafeseiro explica

Certamente os leitores já ouviram falar sobre bullying, o termo inglês que traduzido para o português, remete ao ato de bulir, tocar, ridicularizar alguém. Assunto expressamente falado em ambientes escolares, ao se detectar que o fenômeno crescia entre crianças, adolescentes e jovens, gerando transtornos na vida dos escolhidos como vítimas das agressões.

Hoje, o bullying ultrapassa os ambientes escolares, e ganha voz nas redes sociais, no mundo virtual. E então, nasce o termo Cyberbullying, a violência praticada a partir da internet. Nesse contexto aparecem alguns lugares que são ocupados. O lugar do agressor, o lugar do defensor, o lugar do espectador e o lugar da vítima.

O comportamento do agressor se manifesta como resultado de conflitos próprios internos, que se projetam de forma hostil nas relações exteriores com o próximo, escolhendo alvos à serem atingidos a partir de uma violência intencional. Por trás das telas constata-se que o agressor se sente menos inibido ou até mais encorajado a expor, ofender, hostilizar e ridicularizar o seu alvo.

O espectador, ocupa o lugar daquele que assiste o que acontece, mas não se posiciona em defesa da vítima, ocupa a função daquele que observa passivamente a situação. Porém, se o mesmo se identificar com o comportamento do agressor e com o lugar de fala do mesmo, novos agressores virtuais surgem e o fenômeno cresce. Há também aqueles que se posicionam em defesa da vítima, e é comum nesse contexto, que o campo virtual se torne um campo de guerra virtual, entre os que atacam, os que defendem e os que observam. A vítima exposta é que sofre os maiores danos. Alguns estudiosos dizem que esse cenário revela que estamos vivendo a era do espetáculo.

Por se tratar da internet, é necessário considerar que este é um campo escasso de regras e fiscalizações que barrem esse tipo de comportamento. Ao contrário, é comum que movimentos como esses viralizem, ganhando proporções gigantescas e causando consequências muitas vezes irremediáveis na vida de muitos. Imagens e vídeos íntimos que são repassados, comentários ofensivos que ganham força, e uma exposição sem precedentes. Apesar de existir uma lei que tipifica crime cibernético à essas práticas, não se pode impedir as consequências do ato, e as vítimas destes, podem entrar em quadros de angustia e ansiedade, desenvolvendo transtornos em sua vida psíquica e social.

Falar sobre Cyberbullying em uma era onde a comunicação virtual ganha cada vez mais espaço na vida das pessoas, é de suma importância. Pois se trata de como esse fenômeno interfere na dinâmica relacional da população.

Pensar sobre a responsabilidade que cada um de nós temos nesse lugar, inclui pensar sobre a forma que nos relacionamos no mesmo. Seja a partir da exposição da nossa própria imagem, seja a partir do nosso grau de tolerância sobre o diferente, seja a partir do quanto a nossa opinião sobre a imagem do outro pode agregar valor ou ser extremamente nociva. Seja sobre pensar, sobre a passividade ou o prazer que se manifesta ao assistir com normalidade os inúmeros tipos de violência e danos que o cyberbullyng pode trazer à vida das pessoas.

Para aqueles que se reconhecem em algum desses lugares, cabe a reflexão. Para as pessoas que já foram vítimas desse tipo de agressão, vale ressaltar a importância de revisitar sua consciência sobre seu autoconceito, sobre o seu lugar dentro da sua própria história, sobre seus valores, crenças e superações. Avaliar o que assusta sem permitir que isso defina aquilo que de fato essa pessoa é, em todas as suas dimensões.

O apoio de familiares e pessoas próximas sempre será uma força a mais, para ajudar essas pessoas a enfrentarem e atravessarem o desprazer que o cyberbullying promove ou já promoveu em suas vidas.

Simone Souza Cafeseiro- psicóloga clínica CRP: 03/19407

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