Depressão e Suicídio, como lidar? – Simone Cafeseiro explica

Depressão e Suicídio, como lidar? – Simone Cafeseiro explica

Setembro amarelo, mês que a sociedade dá mais visibilidade aos assuntos sobre depressão e suicídio. Porém, é importante ressaltar que temas relacionados a saúde mental devem estar sempre em pautas, sobretudo nesse tempo em que a o transtorno depressivo é previsto como a segunda doença mais incapacitante do mundo até 2020, e a primeira até 2030.

Os dados divulgados pela OMS são preocupantes e revelam que o mal-estar generalizado na civilização, apontam para necessidade urgente em mudanças em nossa qualidade e forma de vida. O lado bom dessa triste notícia, é que a identificação do problema pode nos fazer buscar soluções, e nesse caso existe tratamento para depressão, assim como é possível prevenir o suicídio. O sofrimento oferece uma possibilidade de retorno a nós mesmos.

Através deste, somos obrigados a olhar para dentro de si mesmo com mais atenção e acolhimento, e perceber de qual lugar em nossos anseios surgem as nossas angústias. Esse é um movimento que deve refletir também em nossas relações. Cada situação é vivenciada de maneira muito particular por cada ser humano.

Por isso não devemos desqualificar o sofrimento do outro, e sim respeita-lo. Lidar com os sintomas depressivos é um desafio para todos que vivenciam a doença. Sofrem não apenas aqueles que possuem o diagnóstico, mas também os que estão próximos e muitas vezes se sentem preocupados e impotentes por não saberem como ajudar. O ideal é que a pessoa seja acompanhada por um profissional da saúde mental. Mas, como agir ao se deparar com situações em que alguém apresenta sinais de depressão e ideação suicida?

Algumas orientações: Nem todas as pessoas que desejam cometer suicídio, irão expressar isso claramente. Mas, a maioria delas irá dar sinais. Elas podem dizer frases como: “Estou cansado de viver.” “Sou um fardo na vida das pessoas.” “Seria melhor se eu não existisse”. “Queria dormir para sempre.” O desprazer diante da vida é uma característica latente, se alguém expressa esse sentimento, o indicado é que permita que a pessoa fale sobre isso.

Deixe-a falar sobre a sua angústia, seu desespero, sua dor, sobre a vontade de morrer, sobre o que não está bem em sua vida. Não emita julgamentos, ouça com respeito, a maioria das pessoas só querem ser ouvidas e sentir que tem alguém por perto que se importa com elas.

Nesses momentos, o acolhimento é mais efetivo que conselhos. Deixe a pessoa entender que você sabe o quanto a vida pode ser difícil, afinal todos nós temos problemas, e precisamos sempre superá-los para seguir em frente, mais fortes e mais sábios. Revisitem as lembranças e busquem situações em que outros problemas foram superados. Reforce os pontos positivos que a pessoa possui. O sujeito com depressão costuma se esquecer ou desvalorizar as suas qualidades. A crença de desvalor, gera uma visão generalizada de depreciação da própria vida.

Pessoas que cometem suicídio, o fazem porque acreditam que essa é a única maneira de por um fim a sua tristeza. Seus sentimentos são ambivalentes, elas querem viver, mas não estão conseguindo lidar com a dor da existência. Essas pessoas precisam ter um ambiente em que se sintam seguras e acolhidas para simbolizar esse sofrimento, e entender que é possível superar essa situação e ressignificar a vida.

Quem já tentou suicídio uma vez, pode sim tentar outras vezes. Mas isso não significa que a pessoa será sempre um suicida. Muitas pessoas conseguem atravessar esse caminho doloroso e encontrar novos sentidos para sua vida, com outra perspectiva. Tratar feridas emocionais é tão doloroso como tratar qualquer outra ferida sobre o corpo, as vezes até pior. Pois estamos lidando com algo que não é palpável e não é visível aos olhos.

Cada ser humano tem seu tempo e sua capacidade de encarar suas limitações e supera-las, por isso não podemos exigir que o outro nos dê uma resposta de melhora no momento que esperamos. Amigos, cônjuges e outros familiares que acompanham pessoas que sofrem com depressão e/ou apresentam ideação suicida, também precisam cuidar da sua própria saúde mental. Não é uma situação fácil, sobretudo quando existe vinculo afetivo entre ambos.

Ser honesto consigo e com o outro é essencial, respeitar as próprias limitações para evitar que o adoecimento psíquico se estenda no seio relacional. Em todos os casos, a indicação é que busque ajuda de profissionais capacitados e faça acompanhamento psicológico. Pesquisas mostram que atividades físicas, de relaxamento, meditação e hábitos alimentares saudáveis também podem ajudar nesse processo, já que estes impulsionam atividades cerebrais que geram sensações de prazer e bem-estar.

Simone Souza Cafeseiro- Psicóloga (CRP-03/19407)

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