Inovador, escritor Jason Reynolds saca muito de rap e jovens negros

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O americano Jason Reynolds, 35 anos, não cresceu esperando ser escritor: na verdade, ele tinha 17 anos antes de ler um livro do começo ao fim. Mas provavelmente sua formação atípica é o que lhe permite se conectar tão poderosamente com leitores adolescentes.

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Jason Reynolds, 35 anos, autor do livro Daqui Pra Baixo, sobre um garoto negro de 15 que quer vingar a morte do irmão assassinado (Foto/Divulgação)

Ele publicou uma dúzia de romances – principalmente para jovens adultos – nos Estados Unidos, foi finalista do National Book Award e faz parte da lista de best-sellers do jornal New York Times.

Depois de Fantasma, em 2017, a Intrínseca lança mais um ótimo livro de Reynolds no Brasil: Daqui Pra Baixo (320 págs. | R$ 49,90/impresso e R$ 34.90/e-book). Com versos curtos e ritmados que remetem às rimas do rap , o livro é sobre Will, um garoto negro de 15 anos, que quer vingar o irmão assassinado, Shawn.

Minha mãe sempre dizia

sei que quem é novo
não quer parar em casa,
mas não esquece: quando
você for andar por aí à noite
vê se não deixa a noite
acabar entrando em você.

Mas o Shawn
devia estar de
fone de ouvido.

Tupac ou Biggie.

Em sua vida, a vingança é um dever, honra e respeito; é o que ele deve ao irmão. É o código, não uma opção. No dia seguinte, Will entra no elevador com um revólver, e, à medida que desce cada andar, uma figura diferente e importante de seu passado, cada uma vítima da violência , entra e expõe alguma ideia e perspectiva sobre ele.

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É um recurso muito criativo de Reynolds (@jasonreynolds83) para explorar ideias complexas e uma leitura surpreendentemente rápida, que prova que a brevidade pode ser tão poderosa quanto uma história grande e volumosa.

O ponto de partida para o livro veio de uma experiência pessoal. Quando tinha 19 anos, um amigo de Reynolds foi assassinado. Naquela noite, ele e os amigos foram à casa da mãe do morto, planejando descobrir o autor do crime para que pudessem se vingar. Felizmente, não perderam o controle.

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CASTELLO BRANCO FAZ SERMÃO SOLAR PARA DIAS NUBLADOS

Em uma das canções mais doces do seu novo e bom álbum, Sermão, o cantor carioca Castello Branco, 32 anos, diz: “Se você precisar eu vou com você/ Pode nem ter a ver comigo, mas eu vou/ Se você precisar eu tô com você/ Pode nem ter a ver comigo, mas eu eu tô/ A coisa tá feia, mas eu enxergo lindo/ Se o medo apertar cola comigo” (Cola Comigo).

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O cantor e compositor carioca Castello Branco, 32 anos, lança o seu álbum mais pop: o bom Sermão (Foto/Fernando Schlaepfer/Divulgação)

Essa “pregação” filosófica do bem domina as 11 faixas do trabalho produzido por Ruben di Souza (ex-Banda Azul), que tem muita experiência com o pop e o gospel, estilos bem harmonizados nos arranjos e na sonoridade de Sermão. O disco fecha a trilogia que Castello iniciou com Serviço (2013) e seguiu com Sintoma (2017), ambos intimistas.

Compositor de personalidade própria, vivência espiritualizada e versos simples, Castello Branco canta o afeto e o entendimento num sentido mais amplo e universal, fugindo do amor romântico que predomina no universo pop.

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Na dançante Fortaleza, por exemplo, o artista canta com firmeza: “Eu posso dizer que eu sei/ Se eu sentir de verdade…/ Não existem regras para amar alguém”.

Outros boas e dançantes vibrações estão em Powerful e na praieira Juntos com Certeza. Já Back To Myself é de um beleza folk pop especial, enquanto Pãma lembra um possível encontro entre Guilherme Arantes e Beto Guedes.

Veja o videoclipe de Powerful

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LIVRO AFIRMA QUE O VATICANO ABRIGA UMA DAS MAIORES COMUNIDADES GAYS DO MUNDO

Fruto de quatro anos de pesquisa, período em que o autor falou pessoalmente com mais de 1.500 pessoas no Vaticano e em 30 países (incluindo o Brasil), o livro No Armário do Vaticano – Poder, Hipocrisia e Homossexualidade (Objetiva | 499 págs. | R$ 79,90/impresso e R$ 39,90/e-book), do respeitado jornalista e escritor francês Frédéric Martel, que é gay, é um best-seller mundial e, claro, provoca polêmicas.

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Martel usa as palavras críticas do papa Francisco como sinalizadoras de que há algo mesmo de podre no Vaticano: “Por trás da rigidez, há sempre alguma coisa escondida; em inúmeros casos, uma vida dupla”.

O livro investiga a homossexualidade velada entre os padres da Igreja Católica e a crescente homofobia de alguns expoentes do Vaticano, que podem estar envolvidos na ocultação dessa vida dupla.

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